A memória e aprendizagem são termos que estão fundamentalmente interligados. Não adianta investir em métodos de ensino que não ajudem a reter as informações transmitidas: todo conhecimento será perdido, assim como todo esforço, tempo e recursos empregados no processo. 

Por isso é importante adotar nos processos educacionais uma metodologia que considere a dinâmica entre memória e aprendizagem, fortalecendo a fixação dos conhecimentos na mente dos estudantes. E a gamificação pode ser uma grande ajuda neste processo.

Confira nesse artigo como os métodos ativos, em especial a gamificação, contribuem para a memória dos conteúdos estudados.  

Memória, Aprendizagem e Métodos Ativos 

Reter as informações é algo fundamental para saber – e usar – todo o conhecimento adquirido, seja para questões do dia a dia, no trabalho ou nas provas. Imagine esquecer como fazer operações matemáticas básicas, não lembrar as capitais brasileiras ou a importância das abelhas no equilíbrio ambiental – de uma forma ou outra, essas informações são relevantes para a vida de todos e esse esquecimento, cedo ou tarde, trará consequências negativas.

Porém, uma grande parte dos conhecimentos ensinados nos diversos níveis da educação – do básico ao profissional/pós-graduação – são completamente esquecidos. Você se lembra do número atômico do Hélio? Como calcular uma mediana? Os motivos que causaram a Guerra do Paraguai? Enquanto algumas informações não terão aplicações práticas mais tarde, outras podem fazer a diferença tanto no trabalho, quanto no convívio social e na formação como cidadão.

Mas o que faz um tema ser fixado na mente e outro não? Um conhecimento ser completamente esquecido ou somente ser lembrado apenas na hora das provas, testes e avaliações? E algo ser memorizado e aplicado no dia a dia, nas tarefas mundanas, nas atividades profissionais ou em outras finalidades? Essas são perguntas que permearam a cabeça de pesquisadores do mundo todo durante décadas, buscando entender a relação entre a memória e o aprendizado.

Um fator de influência nessa dinâmica é o interesse da pessoa a respeito de um determinado assunto: é mais difícil reter informações sobre temas que não são considerados tão importantes ou que não possuem valor para determinado indivíduo, do que os conhecimentos em algo em que haja vontade de aprender. 

Um amante de futebol sempre vai ter mais facilidade de lembrar das datas históricas dos jogos, mas, se não gostar de história geral, provavelmente não saberá quando exatamente terminou a Guerra Fria, por exemplo.

Além do próprio interesse em determinado assunto, a maneira com que ele é apresentado também pode influenciar este processo. Uma metodologia de ensino que sempre coloca o estudante como ator passivo e que não varia os formatos de conteúdo pode acabar não sendo engajadora e não prendendo a atenção dos participantes. Esse fato, por si só, já se mostra um empecilho à fixação dos conteúdos na memória. É diferente ouvir sobre técnicas de vendas e ter que fazer uma simulação com um “cliente”, por exemplo.

Algumas teorias levantam hipóteses de como a informação pode ser melhor assimilada, também pensando nas qualidades dos métodos mais ativos de ensino, em que o estudante não apenas escuta e copia os conhecimentos; mas sim interage com os materiais. Para o Modelo da Pirâmide de Aprendizagem, por exemplo, a maioria dos conteúdos é gravada quando há debates, perguntas, discussões ou quando a pessoa precisa (re)transmitir o conhecimento adquirido.

Existem diversas outras teorias e técnicas voltadas a melhorar a fixação dos conhecimentos – considerando diversos públicos, faixas etárias e contextos de aprendizagem. Mas há uma metodologia que pode abranger as mais diversas realidades e que está trazendo resultados positivos à educação: a gamificação.

Memória, Aprendizagem e Gamificação: uma parceria de sucesso

A gamificação é uma metodologia que utiliza elementos comuns aos jogos em contextos que não se resumem ao entretenimento. Pense em recursos como storytelling, pontuação, avatares, recompensas e barras de progresso: esses itens são adotados em conjunto para motivar as pessoas a cumprirem um determinado objetivo, como realizar uma ação concreta ou mudar um comportamento específico.  

Essa estratégia está ganhando espaço no mercado mundial e, aos poucos, vem deixando sua marca no Brasil. A metodologia costuma ser adotada nos mais diversos públicos e nas mais variadas áreas, como saúde, política e educação em geral – do básico ao superior e corporativo. 

No ensino, a gamificação é usada como forma de motivar os estudantes a assistirem às aulas, realizarem as tarefas de fixação de conhecimentos e receberem um feedback do seu esforço. Os jogos são atividades altamente engajadoras, e essa estratégia utiliza esses elementos para estimular os usuários a fazerem ações com consequências positivas – como estudar.

Desta forma, quebra-se a rigidez do momento de estudo, criando uma experiência mais amigável, imersiva e interativa de aprendizado. O estudante age como ator ativo em seu processo de aprendizagem, aumentando ainda mais a sua motivação e engajamento com os estudos. 

Porém, não é só mais divertido estudar com a gamificação. Os elementos lúdicos da estratégia contribuem para reter as informações na mente dos usuários, das mais complexas às mais simples: como saber que jump significa pular em inglês ou que a Segunda Guerra terminou em 1945. 

Tudo que se aprende com estímulos positivos é mais fácil de ser gravado na memória – e nisso a gamificação tem grande vantagem diante de outras metodologias de aprendizado. 

Além disso, esse método – ainda mais na versão eletrônica – oferece um feedback instantâneo aos usuários, mostrando logo onde eles se equivocaram para que rapidamente aprendam o conteúdo da forma correta (e não acabem gravando a errada sem querer). 

Esses dados ainda são coletados, estruturados e analisados pelas plataformas gamificadas, gerando relatórios detalhados sobre o desempenho dos participantes e que podem ser consultados pelos responsáveis pelas atividades – professores, instrutores, equipe pedagógica e RH. Isso ajuda a identificar quais pontos da estratégia deverão ser aprimorados, quais conhecimentos foram bem assimilados e se a metodologia está sendo efetiva. 

Desta forma, a gamificação é uma ótima solução educacional que ajuda a reter os conhecimentos na memória dos estudantes, de forma divertida e eficiente, e que oferece recursos tecnológicos para tornar o processo e seu controle mais prático e ágil.
Mas, antes de adotar qualquer metodologia de ensino, é preciso saber como ela realmente funciona. Confira nosso artigo Conheça os Tipos de Gamificação Mais Populares e descubra as vantagens e possibilidades desta estratégia para a sua empresa ou instituição de ensino!