O Job Sharing é uma modalidade de trabalho inovadora que permite maior flexibilidade e qualidade de vida aos colaboradores. No entanto, é preciso conhecer bem essa proposta antes de adotá-la na empresa, considerando sua realidade e o que funciona melhor em seu cotidiano antes de mudar o modelo de contratação dos funcionários. 

Nunca ouviu falar de Job Sharing? Descubra nesse artigo o que é esse modelo e quais são as vantagens e precauções de adotá-lo na sua organização!

O que é o Job Sharing?

A correria e estresse do dia a dia afetam a qualidade e produtividade dos seus colaboradores. Ainda mais nas grandes cidades, com o seu ritmo acelerado e um trânsito caótico que consome as energias e tempo de todos, os funcionários têm dificuldade de equilibrar a vida pessoal e profissional, geralmente comprometendo uma e — consequentemente — afetando a outra.

Mas, e se seus colaboradores tivessem a chance de trabalhar menos dias da semana, porém sem prejudicar a produção da empresa? E se isso os ajudasse a cuidar mais de sua saúde, família e desejos pessoais, aumentando assim sua motivação e disposição no emprego?

É nesse sentido que surgiu o Job Sharing! Também chamado em português de cargo compartilhado, esse modelo de trabalho preza pela flexibilidade no trabalho. Resumidamente, dois funcionários passam a dividir uma mesma função — incluindo responsabilidades e projetos —, porém atuando em dias diferentes e com uma remuneração proporcional a sua carga horária. 

Vamos ver isso na prática: dois colaboradores dividem o mesmo cargo; no entanto, o primeiro trabalha de segunda a quarta (ou no período da manhã) e o outro de quarta a sexta ou quinta a sábado (ou às tardes). Assim, eles compartilham a mesma função, só que em períodos diferentes e recebendo proporcionalmente às horas de serviço.

O Job Sharing é uma prática mais comum nos Estados Unidos e Europa, mas, aos poucos, vem ganhando espaço no Brasil. Empresas grandes como a Unilever estão fazendo testes com este modelo no país, verificando se essa estratégia irá trazer os benefícios desejados.  

Conhecendo essa possibilidade, diversas dúvidas são levantadas: quais seriam as vantagens ou desvantagens de ter dois funcionários em vez de apenas um? O que a empresa deve se atentar antes de considerar esse modelo inovador? E como isso tudo afetaria o seu desempenho?

Quais são as vantagens e dificuldades do Job Sharing?

Adotar esse modelo inovador de trabalho tem suas vantagens e desvantagens, além de também demandar atenção especial em alguns pontos. 

Proporcionar uma carga horária reduzida de trabalho permite com que o funcionário tenha tempo para resolver situações de sua vida pessoal. Pense em diversas possibilidades: colaboradores que tem filhos ou alguém sob seus cuidados, como idosos; profissionais que estão passando por problemas de saúde e precisam de um tratamento especial; que estão cursando uma graduação ou pós e que necessitam de mais momentos de estudo ou até que tenham um projeto não relacionado ao seu emprego.

Adotar o Job Sharing permite que o colaborador tenha tempo — e energia — para cuidar de todas essas e outras pendências particulares. Isso significa que estas questões não irão distraí-lo no expediente, nem irão reduzir sua motivação e dedicação ao seu trabalho. O funcionário acabará com menos estresse, até mesmo de ter que se deslocar todos os dias ao seu serviço, e consequentemente isso influenciará a qualidade e produtividade na empresa. 

Uma das possibilidades que este modelo oferece é em relação aos colaboradores antigos 

que ainda não querem se aposentar, mas que poderiam se beneficiar com a redução na carga horária para cuidar de outras questões. Estes profissionais experientes podem dividir a função com quem tem menos vivência, tornando-se mentores dos mais jovens e os preparando para assumir mais responsabilidades futuramente. 

Essa troca pode tornar o trabalho mais colaborativo e flexível, o que chama a atenção de profissionais de gerações mais novas e ajuda no engajamento e retenção desses talentos na empresa. 

O Job Sharing prevê com que a organização pague o valor proporcional às horas trabalhadas, assim não haverá maiores custos com o segundo funcionário. Além disso há o bônus de contar com mais um especialista, às vezes com habilidades diferentes e complementares, para lidar com as tarefas cotidianas. 

Todos esses elementos possibilitaram que o Job Sharing despertasse a atenção de empresas do mundo todo, que começaram a testar esse modelo e verificar se a inovação traz impactos positivos a qualidade de vida dos colaboradores e a produtividade da organização.

Porém, como tudo na vida, não existe apenas o lado positivo: adotar o Job Sharing também traz o desafio de lidar com dois profissionais ao mesmo tempo, resolvendo as questões de um mesmo cargo. Isso exige com que haja uma excelente comunicação entre eles, evitando desencontros e divergências de posturas, além de uma atitude flexível — afinal, ambos dividirão as responsabilidades e terão que saber ceder em algumas decisões.

Nenhuma dessas questões é fácil de lidar e é solucionada rapidamente. Por isso os parceiros que irão compartilhar o mesmo trabalho precisam ter um bom relacionamento, sabendo dialogar e resolver conflitos entre si. 

Outro ponto é que a comunicação com as lideranças também deve estar afinada para evitar problemas com prazos e responsabilidade dos dois parceiros. Os gestores precisam estar atentos à variações na produtividade e qualidade do trabalho ao adotar o modelo do Job Sharing em sua realidade, avaliando se a mudança foi positiva a organização ou não.

Também é importante citar que nem todas as empresas conseguem acomodar esse modelo em seu cotidiano. É fundamental contar com a disposição dos colaboradores em reduzir sua carga horária, saber dividir as tarefas com outro profissional e ter maturidade de assumir as responsabilidades e desafios desta modalidade.

Por isso é preciso bastante planejamento, conversa e avaliação antes ou até durante o processo de implementação do Job Sharing, constantemente verificando se as mudanças estão causando efeitos positivos no dia a dia da empresa ou se o modelo tradicional é o mais adequado a organização.
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