A holocracia é uma estrutura organizacional inovadora, se não completamente ousada: uma empresa onde não há chefes ou gerentes. Pode parecer impensável, no entanto, este conceito vem ganhando espaço ou ao menos diversas conversas no mundo corporativo.

Quer saber como este conceito funciona e como implementá-lo em uma organização? Conheça a holocracia:

O que você vai ver neste artigo:

A Liderança nas Empresas do Século XXI

O papel do líder sempre foi fundamental na história da humanidade: quantas figuras históricas e até mesmo fictícias moveram pessoas em todas as partes do mundo pelo mesmo ideal — seja com resultados positivos ou negativos?

Nas organizações, um gestor inspirador é capaz de organizar de forma eficiente todas as atividades de seu setor ou empresa como um todo, inspirar seus funcionários, encontrar soluções para os dilemas da rotina e extrair o melhor de cada pessoa ao seu redor.

Mas um chefe ruim pode prejudicar mesmo os melhores profissionais, desmotivar colaboradores e ser a razão para a saída dos talentos da empresa. Por isso, muitas organizações buscam treinar seus líderes ou adotar estratégias gerenciais que sejam mais atraentes e eficientes, despertando e retendo os talentos. 

Nesse sentido, algumas empresas atualmente estão apostando em modelos mais horizontais de gestão, inclusive incentivando um estilo de equipes autogerenciáveis para dar mais autonomia e responsabilidade para seus funcionários. Neste caso, com liberdade, eles são capazes de inovar e trazer resultados incríveis. 

Mas, ainda sim, estes conceitos demandam a existência de um líder — mesmo que diferente do modelo tradicional, que ordena cada tarefa dos colaboradores e avalia seu trabalho com rigidez. Nesse estilo mais flexível, o gestor se torna um orientador, que supervisiona as atividades, porém dá liberdade e confia em sua equipe. 

Entretanto, existe um passo ainda mais radical a respeito da liderança nas empresas: a holocracia. 

O que é Holocracia?

Basicamente, ela é um modelo de empresa onde não há centralização de poder ou de tomada de decisão. Enquanto as organizações são estruturadas como uma pirâmide — onde um pequeno grupo tem responsabilidade por todas as estratégias adotadas no negócio, e os demais, de forma decrescente, tem menor controle e respondem aos seus superiores — a holocracia traz um conceito completamente diferente.

Imagine uma empresa onde não há chefes ou gestores: todas as responsabilidades são dos funcionários, que atuam em equipes multidisciplinares e auto-organizáveis. Também chamados de círculos semi-independentes, esse grupo acaba substituindo as áreas do negócio, como marketing, vendas, entre outras.

Nesse sistema, o poder é distribuído entre as atribuições, ou papéis, que envolvem a administração de uma empresa. Mesmo que haja mais autonomia, os profissionais devem atuar em harmonia e seguindo os objetivos bem definidos para alcançar os resultados e manter o negócio em pé.

Alguns especialistas defendem que existe sim hierarquia na holocracia, no entanto que ela seria entre os círculos que formam a empresa — em vez da tradicional estrutura de pirâmide — e que seguem um estilo mais democrático. 

Com tantas inovações, é natural que, ao menos, o conceito desperte a curiosidade dos empreendedores e gestores. Nesse sentido alguns equívocos e ilusões podem ser alimentados no primeiro momento, projetando problemas ou benefícios que podem não se concretizar na realidade.

Quais são as Vantagens e Dificuldades da Holocracia?

Assim como qualquer estratégia, investir na holocracia pode trazer vantagens para a empresa — como também desafios e limitações. É importante conhecê-las para entender o impacto de uma mudança tão grande na estrutura da organização.

Vantagens da Holocracia:

  • Decisões e respostas mais ágeis e flexíveis;
  • Maior grau de responsabilidade dos envolvidos no negócio;
  • Diferenciação da concorrência, que dificilmente será capaz de replicar a mesma experiência e resultados;
  • Fortalecimento do engajamento dos profissionais;
  • Possibilidade de maior inovação na empresa;
  • Desenvolvimento e liberdade para os talentos na organização.

Problemáticas da Holocracia:

  • Podem existir dificuldade de se implementar na prática;
  • Graves problemas podem ocorrer caso os profissionais não assumam suas responsabilidades;
  • Necessidade de que todos os envolvidos estejam preparados para atuar nesse modelo, com união e harmonia;
  • Pode não funcionar com todas as empresas e equipes, dependendo do seu perfil.

Desta forma, antes de decidir adotar a holocracia, é importante avaliar a realidade da organização e de seus colaboradores, seus desejos, objetivos e condições de bancar essa transformação. 

Como Implementar a Holocracia?

O conceito começou a ficar famoso no mundo a partir de 2007, apesar de algumas experiências parecidas terem ocorrido no início do século XIX. Por isso, muitas empresas começaram a ficar de olho nesse modelo para saber se ele daria certo ou se seria apenas uma moda passageira.

Algumas organizações adotaram adaptações da holocracia em suas estruturas e sistemas híbridos, dando maior liberdade e responsabilidades para os seus funcionários, mas ainda sim mantendo algumas características tradicionais em sua gestão. 

No entanto, existe uma empresa que ficou famosa por implementar a holocracia: desde 2014 o e-commerce de sapatos Zappos usa este modelo. Com sede nos Estados Unidos e adquirida pela Amazon por US $1,2 bilhão em 2009, a varejista trouxe esse conceito para sua identidade e o vive até o momento. 

Como dito em seu site, a companhia usa uma estrutura organizacional de autogerenciamento, onde os profissionais sabem exatamente suas responsabilidades e têm liberdade para cumpri-las da forma que acreditam serem as melhores. 

Eles relatam que existem diversos métodos para se implementar a holocracia e que, em seu caso, adotaram uma série de regras e processos pré-definidos e um sistema de freios e contrapesos — dando equilíbrio aos poderes envolvidos na empresa. 

A Zappo ainda explica que há guias que uma organização pode usar para se tornar auto-organizável e autogerenciável, “dando aos funcionários (em vez de somente o gerente) o poder de inovar, promover mudanças e ter voz”, como diz em seu site.

Desta forma, as empresas podem moldar as regras e conceitos da holocracia de acordo com sua realidade, adaptando-a para o perfil dos funcionários e particularidades do negócio. Entretanto, algo fundamental nesse processo é que os colaboradores estejam preparados para assumir as responsabilidades e tenham uma postura proativa e inovadora. 

Para isso, é importante investir em treinamento corporativo para capacitar tecnicamente os profissionais e despertar as habilidades subjetivas que farão a diferença no dia a dia. Além disso, essa estratégia pode também ajudar a fortalecer os laços e confiança entre os colaboradores, os preparando para agir em sinergia e com espírito de união. 
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