Há tempos que os jogos deixaram de ser vistos apenas como entretenimento. Áreas como saúde, segurança, educação e treinamento corporativo foram impactadas pelo estilo lúdico dos games, transformando diversos processos em atividades mais engajadoras e, consequentemente, mais efetivas. Enquanto lá fora há cada vez mais investimento nessa inovação, a gamificação no Brasil ainda tem um grande campo a explorar.  

Neste artigo vamos te explicar como a gamificação pode ser aplicada em várias áreas e como o mercado brasileiro tem muito a ganhar ao adotar essa estratégia.  

O mercado de games e a gamificação no Brasil

A indústria dos jogos teve um grande boom nas últimas décadas. No mundo, esse mercado já fatura mais do que segmentos tradicionais como o cinema e música: em 2016, considerando todas as plataformas e dispositivos, os games obtiveram US$91 bilhões em vendas.

Em comparação ao mercado mundial, o Brasil ainda tem muito a crescer no ramo dos jogos eletrônicos. Em entrevista para a Globo News, Marcelo Tavares – criador da Brasil Game Show, a maior feira do segmento na América Latina – relata que o país está entre o 10º e 15º lugar em relação ao faturamento do setor, demonstrando que há um grande potencial para ser explorado nesse segmento.

O especialista afirma que estamos em 3º lugar em número de jogadores, fato comprovado por dados que mostram a popularidade dessa atividade: segundo a Pesquisa Game Brasil 2018, 75,5% dos brasileiros jogam algum jogo eletrônico.

Falando especificamente sobre gamificação no Brasil, também temos um longo caminho pela frente. Em entrevista para a Propmark, Fernando Tsukumo – professor do curso de gamification da Descola – explica que o país atualmente está se desenvolvendo na implementação dessa metodologia, porém, em comparação ao movimento mundial, ainda temos muito a crescer. Para ele, as empresas de fora (como Volkswagen, Lego e Google) vem adotando o método como peça central da sua estratégia, tornando-se até  mesmo seu diferencial competitivo.

Afinal, o que é Gamificação?

Resumidamente, gamificação significa aplicar a lógica dos jogos em contextos que não são exclusivamente entretenimento. Essa estratégia utiliza elementos que são naturais a dinâmica – como motivação, competição e feedback imediato – para estimular os usuários a completar objetivos com consequências reais e positivas. Essas ações podem ser desde realizar exercícios físicos, se conscientizar sobre problemas sociais a até aprender uma nova língua.

Considerando o conceito que empregamos atualmente, a gamificação começou a surgir a partir dos anos 2000. Entretanto, diversos autores já haviam teorizado anteriormente sobre jogos e seu impacto no comportamento humano e na vida social. A ideia de se usar elementos que são vistos em games (como recompensas) também já era aplicada em outras situações – como fidelizar clientes por meio das milhas aéreas, por exemplo -, porém de forma isolada, sem tornar a experiência em algo imersivo e/ou interativo.

A gamificação trabalha com diversos elementos dos games para atingir resultados concretos, trazendo o fator diversão como força motivadora da ação dos usuários. Os jogos são naturalmente atrativos e envolventes e o lúdico torna atividades que poderiam ser desgastantes (como praticar atividades físicas ou realizar treinamento corporativo) em tarefas dinâmicas, auxiliando o engajamento dos indivíduos nas ações.

Isso ajuda as pessoas a se desenvolverem cada vez mais naquilo que precisam realizar, gerando benefícios concretos para sua vida. As plataformas costumam oferecer um feedback imediato da performance dos usuários – ganhando pontos, subindo de nível e aumentando o XP, por exemplo -, tornando ainda mais ágil sua resposta.

Se aplicada em contextos envolvendo educação, o lúdico ainda ajuda a fortalecer a fixação do conhecimento adquirido, pois tudo que é relacionado a estímulos positivos e ao uso do storytelling* costuma ser mais facilmente lembrado. Por isso a gamificação é bastante adotada por instituições de ensino e empresas.

Pensando nesses e em outros benefícios da estratégia, várias áreas começaram a adotar a gamificação para melhorar seus resultados, tornando suas atividades mais engajadoras, dinâmicas e efetivas.

Onde a Gamificação pode ser implementada?

Essa estratégia é bem democrática, podendo ser adotada em diversos públicos e em variados segmentos, como mobilidade, segurança e marketing. Vamos mostrar o impacto e algumas ideias de gamificação em três setores diferentes:

Saúde

Jogos eletrônicos sempre foram equivocadamente associados ao sedentarismo. Porém sabia que existem aplicativos gamificados que fazem justamente o contrário, incentivando a prática de atividades físicas? Em alguns deles é possível competir com seus amigos para ver quem, por exemplo, caminhou mais quilômetros em determinado período de tempo. Desta forma a competição saudável estimula os participantes a se exercitarem mais.

Mas não é somente na saúde física que a gamificação tem trazido impactos. A game designer e grande especialista sobre o impacto positivo dos jogos na vida das pessoas e sociedade, Jane McGonial é inventora e cocriadora do SuperBetter – uma estratégia que tem como objetivo desenvolver resiliência nas pessoas, ajudando-as a superar problemas como depressão, ansiedade, insônia, dores crônicas e até mesmo trauma cerebral – isso tudo após uma experiência pessoal.

Educação

A gamificação pode ser adotada para a aprimorar os processos de aprendizagem em diversos níveis, desde o ensino infantil até a educação empresarial, e com os mais variados temas. Essa estratégia motiva os educandos a realizar as tarefas, além do elemento lúdico contribuir para a assimilação de conteúdos mais complexos e na retenção do conhecimento.

Um exemplo dessa aplicação foi a parceira entre a Ludos Pro e MadCode, que buscou uma solução dinâmica e divertida para ensinar crianças e adolescentes a programar. A plataforma trouxe resultados como o aumento do engajamento dos alunos e maior efetividade na prospecção de novos clientes. Desta forma a gamificação se tornou uma peça importante na educação, além de se tornar um diferencial de mercado.

Empresas

Também considerando o aprendizado, as organizações podem aplicar a gamificação em seu treinamento empresarial – aumentando o engajamento dos colaboradores nas capacitações e fortalecendo seu conhecimento para que seja bem sucedida sua aplicação no dia a dia.

A parceria entre a Vivo e a Ludos Pro proporcionou uma experiência única de treinamento para a equipe de call center. Mais de 90% dos colaboradores aderiram a solução e o trabalho foi considerado um sucesso pelo engajamento despertado.

Além do treinamento, outras áreas da empresa também podem ser beneficiadas com a gamificação, como o marketing, recrutamento*, onboarding de novos funcionários, comunicação interna e até mesmo para aumentar a motivação e produtividade nas tarefas cotidianas.